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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Emagrecer rápido é mais eficiente, mas requer cuidados com musculatura e coluna

Emagrecer rápido faz com que as pessoas percam mais peso no final do regime. Esta é a conclusão de um estudo desenvolvido na Universidade de Melbourne, na Austrália. Entretanto, afinar o corpo em pouco tempo sem a prática de exercícios pode levar à perda de massa muscular em vez de gordura, trazendo riscos à saúde.
A pesquisa mostrou que pessoas que perderam 1,5 kg por semana, numa dieta com 12 semanas de duração, tiveram melhor resultado do que aqueles que perderam peso lentamente, como 0,5 kg por semana, durante 36 semanas. Os resultados foram que 78% das pessoas que perderam 1,5 kg emagreceram mais no final do tratamento, contra 48% do outro grupo.
Do lado extremo, o estudo também adverte contra uma perda de peso radical (2,5 kg em média por semana, em 4 semanas) com dietas muito restritivas, pois acarretaria uma série de consequências para o organismo.
Não há uma quantidade de peso ideal para se perder em uma semana, já que cada pessoa reage de uma maneira. Mas é quase um consenso considerar uma margem entre 1 kg e 1,5 kg por semana, sem restrição calórica violenta, um número razoável.
"Emagrecer depende de diversos fatores variáveis como idade, peso inicial, taxa metabólica, nível de estresse, tipo de trabalho realizado e prática de atividade física. Se duas pessoas fizerem a mesma dieta elas terão resultados diferentes", justifica a nutróloga e médica ortomolecular Tamara Mazaracki, do Rio de Janeiro.
Para o médico fisiologista Egberto Moura, professor do Instituto de Biologia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o padrão de segurança varia de acordo com o organismo.
"Algumas pessoas perdem de 4 a 6 kg em um mês, apenas com dieta e exercício. Não há problema algum, desde que sejam acompanhadas por um médico. Entretanto, se a perda for acentuada, de 2,5 kg por semana, e em um espaço de tempo curto, as consequências de desequilíbrio hídrico, vitamínico e energético, produzem um absoluto mal-estar físico e até mental, que produz a desistência do tratamento adotado", diz Egberto.

Massa gorda x massa magra
De acordo com fisiologista Raul Santo de Oliveira, professor de fisiologia do exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), normalmente para o indivíduo conseguir perder peso de maneira rápida, ele lança mão de recursos arriscados como consumo de medicamentos, dietas perigosas e restritivas e jejuns prolongados. "Nesse processo há muita perda de líquido, que leva embora sais minerais e outros nutrientes importantes, além da redução de massa magra (músculos)".
Segundo o fisiologista, o saudável é ganhar músculos e perder gordura; e a margem de segurança para isso acontecer é perder de 3 a 4 kg em um mês. "Se uma pessoa perder muita massa magra durante um tratamento é porque algo está errado. Pode ser a fórmula dos medicamentos, o programa de atividade física ou mesmo a dieta que está inadequada", alerta Moura.
Vale lembrar que os músculos queimam mais calorias do que as gorduras, e quando se perde mais músculos e água do que gordura ocorre o efeito platô, isto é, se estaciona em um determinado peso e, por mais que se esforce, o ponteiro da balança não abaixa.

A coluna também sofre
O emagrecimento rápido ainda está relacionado com sérios problemas de coluna e, claro, de postura. A culpa é da flacidez muscular que se instala de forma generalizada no organismo. "A perda de massa magra atinge diretamente os músculos esqueléticos, que sustentam a coluna vertebral. Isso pode causar dor. Por isso é tão importante praticar algum exercício de força quando se emagrece para fortalecer a musculatura", justifica Raul Oliveira, da Unifesp.
"Os músculos sem tônus ou sem função perdem consistência, se retraem, ficam menores em comprimento e perdem a capacidade de se alongarem e permitirem movimentos", complementa Marcelo Garcia, do Espaço Personal, que enfatiza: "90% das pessoas com mais de 27 anos que chegam à clínica têm algum desequilíbrio físico que desencadeia uma dor. O motivo quase sempre é a combinação de dietas malucas sem atividade física".
Quando a dor começar a ser crônica, principalmente na região lombar, é bom examinar, pois em um estágio avançado pode sinalizar um princípio de hérnia ou protusão.
"Entre as carências nutricionais que uma restrição calórica muito radical pode causar estão a falta de cálcio e magnésio, o que contribui para o enfraquecimento ósseo e a perda de sua densidade, tornando os ossos porosos e frágeis", complementa a nutróloga Mazaracki.

Atividade física controlada
Na empreitada para emagrecer, a prática de atividade física é necessária, mas é preciso cautela para evitar exageros, sobrecarga e consequentemente exaustão muscular.
Os sedentários precisam de cuidado em dobro - começando bem devagar, mas mantendo a frequência regular de 4 ou 5 vezes por semana. A escolha da modalidade também é importante nessa crucial transformação que é sair da inércia do repouso e ir malhar.
"É imprescindível escolher algo que dê prazer, essa é a única maneira de manter o pique e a disciplina. O bônus é um bom condicionamento físico e cardiorrespiratório e um metabolismo mais acelerado, por conta do aumento da massa muscular", lembra a médica ortomolecular.
"Um bom começo, que não compromete nada, é caminhar. Andar pelo menos uma hora, todos os dias da semana, mantém o sistema cardiovascular em forma, além de prevenir a obesidade", aconselha Egberto. E nada de começar a correr nos primeiros sinais de emagrecimento. Os músculos podem não estar preparados para a sobrecarga.

Tirando a dúvida
Para conseguir saber quanto se perdeu de massa magra ou gorda em um programa de emagrecimento, só mesmo apelando para a tecnologia, é difícil até estimar sem o auxílio de aparelhos de medição apropriados.
"Com um acompanhamento médico é possível fazer uma avaliação corporal do indivíduo. Um bom método, considerado de alta precisão, para se medir os percentuais de gordura, massa magra e água é a bioimpedância", lembra a endocrinologista Vania Nunes, professora da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista.
Outra opção é fazer um exame com o plicômetro, que mede o nível de adiposidade do corpo
Fonte : UOL- SAUDE

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