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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Maioria hipertensa não controla pressão, revela pesquisa inédita

Menos da metade dos brasileiros diagnosticados com hipertensão consegue manter a doença sob controle. Esse é o resultado de um estudo que avaliou pela primeira vez no país o grau de controle da pressão arterial nesses pacientes.
Do total da amostra avaliada, 53,3% dos doentes apresentavam valores de pressão superiores a 140 x 90 mm Hg, considerados inadequados.
A pesquisa, que será publicada na revista "Arquivos Brasileiros de Cardiologia", avaliou quase 3.000 hipertensos de todas as regiões do Brasil. Os dados foram fornecidos por médicos e serviços de saúde.
O estudo também revelou que, quanto mais grave o estado de saúde do paciente, pior o controle da pressão.
Os pacientes foram divididos em quatro níveis, de acordo com os fatores de risco associados. O grupo de risco mais baixo tinha só hipertensão. Na outra ponta, os casos mais graves já apresentavam lesões renais, por exemplo.
Cada grupo tinha metas diferentes de controle da pressão. Entre os mais graves, o controle não passa dos 35%.
Segundo especialistas, a situação deve ser bem pior do que os resultados da pesquisa sugerem porque os dados do trabalho são de pessoas que conhecem seu diagnóstico e que estão recebendo algum tipo de acompanhamento.
Estima-se que 25% dos adultos brasileiros e 5% das crianças e adolescentes tenham pressão alta -o que representa algo em torno de 30 milhões de pessoas. Desses, só metade sabe que sofre de hipertensão.

Um em dez
"Se considerarmos todo o cenário brasileiro, estimamos que apenas 10% controlem a pressão corretamente", diz Marcus Bolívar Malachias, presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

"O cenário é similar no mundo todo", afirma Fernando Nobre, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão e um dos líderes do trabalho.

Um estudo recente feito em cinco países europeus mostra dados parecidos.
Segundo Nobre, a falta de adesão ao tratamento é a principal responsável pelo controle inadequado da doença. "Como a hipertensão não provoca sintomas, é muito difícil promover a educação para hábitos saudáveis e para tomar os remédios corretamente", diz ele.

"Às vezes, o paciente toma remédio e sente efeitos colaterais. Aí, para de tomar porque acha que está passando mal", completa o pesquisador.

Embora a mudança de hábitos -como perda de peso, redução do consumo de sal e prática de exercícios físicos- ajude a melhorar o quadro, em geral esses pacientes não podem dispensar os medicamentos. E, entre eles, dois terços necessitam de mais de um remédio.
No final de abril, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em parceria com o Ministério da Saúde e outras sociedades médicas, lançou uma campanha para chamar a atenção para esse problema. "A pressão deve ser aferida uma vez ao ano", ensina Malachias.
A pressão alta lesa a parede dos vasos e é o principal fator de risco para infarto, derrame e insuficiência renal. A doença é responsável também por mais da metade dos casos de pacientes que precisam de diálise.

Fonte : Folha On Line

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