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sábado, 30 de outubro de 2010

Mulheres passam mais tempo internadas por alcoolismo que homens

As mulheres passam mais tempo internadas por causa do alcoolismo do que os homens, de acordo com pesquisa da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto (Universidade de São Paulo). O estudo, divulgado pela Agência USP de Notícias, mostra ainda que os pacientes são cada vez mais jovens.
O levantamento foi feito com 2.203 pacientes de 56 municípios da região Centro-Oeste de Minas Gerais. De acordo com o professor Richardson Miranda Machado, autor da pesquisa, o tempo de internação médio da mulher é de 24,4 dias, enquanto que o do homem é de 22,2 dias. O trabalho também destaca que, no período estudado (1980 a 2008), a idade média dos pacientes vem diminuindo.
O professor explica que existem duas razões que justificam o maior tempo de internação das mulheres. Uma delas se refere às condições fisiológicas da mulher.
- Pelas próprias proporções anatômicas, a mulher, que é bem menor do que o homem, apresenta-se mais frágil e sofre mais com o efeito do álcool, o que requer um tempo maior para a recuperação.
Outro motivo levantado diz respeito a mudanças ocorridas no comportamento. Segundo Machado, a identidade cultural da mulher mudou muito nos últimos anos.
- Antes, a mulher que bebia era mal vista, hoje tal hábito não é condenado.
Com relação à faixa etária, o estudo observou que ocorreram 34 internações de jovens entre 10 e 20 anos de idade, sendo que o professor relatou casos até de crianças de 10 anos internadas nos últimos cinco anos, o que antes não acontecia.
- As crianças estão sendo tratadas pela sociedade como adultos mais cedo. Isso as leva a assumirem hábitos de consumo dos adultos.
A pesquisa se baseou em dados do sistema eletrônico de internações hospitalares do único hospital psiquiátrico da região Centro-Oeste de Minas Gerais, a Clínica Psiquiátrica São Bento Menni, que serve de referência para as internações psiquiátricas hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa analisou também os fatores que levavam à maior ou menor dependência do álcool e o perfil geral dos pacientes. Foi observado que, quanto maior o nível de formação, menor é o número de internações por alcoolismo.
Apesar do maior tempo de internação do sexo feminino, o número de homens internados ainda é bem maior. Eles representam 82,4% dos internados, o que, para Machado, já era esperado, uma vez que eles se arriscam mais e têm maior pressão para se ajustar ao grupo de amigos.
O professor observa um dado positivo. No trabalho, ele verificou melhorias no diagnóstico médico. De 1980 até 1996, muitos dos diagnósticos médicos eram dados como "não especificados", ou seja, os médicos não sabiam se o problema de alguns pacientes internados era gerado por alcoolismo ou por outra complicação. A partir de 1996, os diagnósticos ficaram mais precisos e, além disso, eles começaram a detectar uma grande quantidade de alcoólatras que sofrem com problemas psiquiátricos, como depressão, transtorno de ansiedade e psicose.
O professor enfatiza, no entanto, que o alcoolismo ainda permanece como um grave problema na sociedade e observa que ele piorou em alguns pontos.
- Apesar de o álcool ser uma substância muito antiga, o homem ainda não achou o equilíbrio em seu consumo. Hoje, o alcoolismo se apresenta como problema em áreas que antes praticamente não existia, como o aumento do consumo pelos mais jovens e pelas mulheres.
Fonte : R7

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